"É uma tristeza. Intelectuais, jornalistas e acadêmicos estão fazendo debate em cima de um filme pirata. É muito estranha a ética brasileira."
A frase acima, publicada em matéria da CartaCapital de 12 de setembro, é de Marcos Prado, produtor do primeiro filme nacional a ter vazado – primeiro nas ruas do centro do Rio de Janeiro e na internet – antes de sua estréia oficial, que seria em novembro, agora antecipada para 12 de outubro.
Não bastasse isso, Tropa de elite é um dos longas mais caros já produzidos no Brasil, com orçamento de R$ 10,5 milhões. Trata do espinhoso e nunca esgotado tema da guerra particular que o Rio de Janeiro observa com medo e uma grande carga de preconceito nos últimos 30 anos, entre a polícia e o narcotráfico. A situação afeta diariamente os moradores das regiões onde ocorrem os conflitos, respingando no asfalto e na classe média, que então aproveita para espernear, clamar por "justiça" e fazer passeatas vestida de branco na orla valorizada de Leblon e Ipanema, sempre bem registradas pela mídia.
Triste e estranho não é o debate que se faz sobre um fato consumado. Se a ordem da indústria cultural vem sendo subvertida há alguns anos com o avanço das novas tecnologias, é preciso analisá-las e debatê-las, em vez de simplesmente fingir que não existem e tratá-las como caso de polícia – e de cadeia. Triste e estranho seria tocar no assunto somente após o filme chegar às telonas.
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sábado, 22 de setembro de 2007
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Polêmicas em torno de Tropa de Elite
A polêmica é o tempero do gênio. Tudo que é novo, belo ou grotesco, causa estranheza. Caso do filme Tropa de Elite, de José Padilha. O formato não traz inovação estética, o conteúdo sim. Não por mostrar a classe média como vilã, mas pela franqueza brutal com que o faz. O pessoal da PUC não gostou. E daí? Os moradores da Cidade de Deus também não gostaram do longa de Fernando Meirelles.Há realmente um maniqueísmo exagerado, caricatural, e uma certa falta de sensibilidade na descrição dos estudantes maconheiros. Mas a cena do policial espancando o rapaz participando da passeata pela paz lavou a alma de muita gente, irritada com a hipocrisia de manifestações desse tipo. O cinema, assim como a literatura, vive de maus sentimentos.
O ritmo envolvente, linear, explicativo, exibe a tatuagem da escola criada com City of Gods, e o fato de ter se tornado o maior fenômeno pirata da história recente conferiu-lhe uma belíssima medalha de autenticidade popular. O povo quer ver o filme. As pessoas querem ver o filme. Eu vi um piratão. Qual o sentido desse repentino surto moralista e anti-progressista de setores da opinião pública. O filme está sendo visto por milhões de pessoas, gerando receita e empregos no comércio ambulante. Se a tecnologia moderna torna possível a cópia, o camelô é um criminoso?
A última pesquisa do Pnad revela que 96% dos lares brasileiros tem televisão e uns 40% tem dvd. Mas somente 7% das cidades possuem cinema. OU SEJA. Tem que oferecer o cinema em dvd. A maioria esmagadora da população brasileira tem acesso ao cinema através dos filmes exibidos na tv. Os filmes brasileiros são todos patrocinados pela Petrobrás, estatais, ou por renúncia fiscal do governo federal. O povo paga por esses filmes. É honesto que tenham a possibilidade de assisti-los a custo mais acessível e com mais rapidez.
Wagner Moura, no papel do oficial do Bope, está perfeito. Moura tem se revelado, na minha opinião, o grande ator da contemporaneidade, enquanto seu amigo Lázaro Ramos, de uns tempos para cá, tem repetido sempre o mesmo papel. O personagem do Homem que Copiava parece ter dominado a alma do ator, sempre com a mesma expressão. Tá parecendo a versão preta e magra do Shuásnégger.
Luz e ação!
Começou ontem o Festival de Cinema do Rio 2007. O filme que abriu o Festival foi o tão esperado Tropa de Elite de José Padilha. Tropa de Elite segue a linha narrativa e estética de Cidede de Deus. Ao assistir o Tropa de Elite você entende porque o filme caiu no gosto popular. É um filme de ação e que te deixa ligadão até o fim. Nas duas sessões lotadas da noite de ontem, uma no Odeon e outra no Palácio, dava para ouvir as manifestações da platéia no decorrer da projeção. Isso é muito bacana.
O filme ao que me pareceu, não toma partido nem da polícia, nem dos bandidos, nem do Bope. O objetivo dele é apresentar o que acontece nos vários mundos do crime. O assunto principal é o crime e como e onde ele se desenrola. Seja na favela, no quartel ou na Puc.
Talvez a maior ousadia do longa, não tenha sido as críticas feitas ao organismo Polícia. Mas sim, a crítica aos playboys que sustentam o tráfico com o próprio vício e que também agem como traficantes no asfalto.
O filme não é perfeito. Não é um filme que entrará para história dos clássicos do cinema. Mas é um filme de entrenimento bastante elevado e com o mérito de ter conseguido fazer o Cinema brasileiro bombar no mundo periférico.
O filme ao que me pareceu, não toma partido nem da polícia, nem dos bandidos, nem do Bope. O objetivo dele é apresentar o que acontece nos vários mundos do crime. O assunto principal é o crime e como e onde ele se desenrola. Seja na favela, no quartel ou na Puc.
Talvez a maior ousadia do longa, não tenha sido as críticas feitas ao organismo Polícia. Mas sim, a crítica aos playboys que sustentam o tráfico com o próprio vício e que também agem como traficantes no asfalto.
O filme não é perfeito. Não é um filme que entrará para história dos clássicos do cinema. Mas é um filme de entrenimento bastante elevado e com o mérito de ter conseguido fazer o Cinema brasileiro bombar no mundo periférico.
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